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Movimentações da Juventude na Europa e EUA
Em meio a uma crise financeira global que atinge especialmente os países europeus, ganham força as movimentações da juventude contra os planos econômicos dos governos vigentes e as duras medidas para reverter o quadro de recessão
Em meio a uma crise financeira global que atinge especialmente os países europeus, ganham força as movimentações da juventude contra os planos econômicos dos governos vigentes e as duras medidas para reverter o quadro de recessão. O ano de 2011 foi marcado por protestos de jovens rebeldes na Espanha, França, Grécia, Portugal, Inglaterra e Estados Unidos. Percebe-se claramente que as manifestações estão ligadas ao colapso macroeconômico e que contam com a Internet como ferramenta fundamental de divulgação.
O desemprego atinge 20% da população na Espanha. Está desempregada a maioria dos 39% de jovens que têm Ensino Superior Completo. Em Madrid, ainda no último mês de maio, surgiu uma primeira grande mobilização da juventude contra a gestão do primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero (Partido Socialista Operário Espanhol – PSOE). Por intermédio das mídias sociais (via internet), contrariou-se a lei que proíbe manifestações e protestos públicos poucos dias antes das eleições municipais. Mais de 30 mil manifestantes ocuparam a praça Puerta Del Sol. Barcelona, Valência, Sevilha e Bilbao também presenciaram ações que clamavam por empregos e mudanças na condução política do país. O M15, movimento dos jovens espanhóis, foi o precursor de toda a cadeia de revoltas que vem ocorrendo na região. A crítica ultrapassou a questão econômica, resvalando para a crítica do sistema político. Uma situação que se une as próprias bases do sistema democrático.
A posição firme contra os rumos que a Europa vêm tomando se alastrou por países que hoje passam pela mesma dificuldade da Espanha. Na França, Praça da Bastilha, aproximadamente 250 jovens se reuniram para se solidarizar com o movimento da juventude espanhola. Ainda que em proporção menor, os franceses deram o tom forte ao evento através de cartazes que alarmavam: Revolução Espanhola, povos da Europa se levantam. As lideranças cobravam por uma democracia de fato e recriminavam a democracia existente na França e na Espanha.
Recentemente, em outubro, a juventude da Grécia (empregados e desempregados) colocou-se em linha de guerra contra o que chama de destruição de direitos laborais, de aprofundamento da exploração e degradação profunda das condições de vida de quem trabalha. Já não é segredo para ninguém o atual estado vivenciado pelos gregos. A dívida do país está na casa dos 300 bilhões de Euros, o déficit do orçamento grego alcançou 13,6% do PIB em 2009 índice quatro vezes superior ao permitido pelas regras da chamada Zona do Euro. Cortar gastos e aumentar impostos são objetivos certos dentro do pacote de austeridade aprovado pelo parlamento.
Portugal seguiu o mesmo caminho da Grécia e solicitou ajuda da União Européia para financiar a dívida pública. A juventude portuguesa definiu posição crítica em relação aos encaminhamentos políticos. Revelam um incômodo profundo com os excessos do mercado financeiro e sua falta de compromisso com o bem estar dos povos. Consideram que o governo português está entregando “a soberania nacional aos ditames da União Européia e do FMI”.
Chama atenção a franqueza do presidente da Federação Mundial da Juventude Democrática, o português Tiago Vieira, em recente entrevista. Ele fala que os jovens da Europa têm sido muito atacados em seus direitos e chegou a comparar a geração do século XXI com a geração do século XIX ao citar a negação dos mais básicos direitos, a precariedade e o desemprego como elementos centrais da vida do jovem europeu.
Um sentimento sintonizado dos manifestantes do Occupy Wall Street, em Nova York e Washington com os jovens de Puerta Del Sol, em Madrid. Uma justa indignação contra a tolerância e a exclusão que impele a ação dos moradores das periferias de Londres e Paris, todos vítimas de modelos incapazes de incluí-los em plenitude.
Na jornada “Unidos por uma Mudança Global”, os jovens ingleses intensificaram os protestos em agosto e chegaram ainda no início deste mês ao centro do país. A juventude enfrentou a polícia incendiando carros, prédios e ônibus vazios, levantando barricadas nas ruas, atacando lojas de luxo e agências bancárias. O levante ocorreu contra as políticas de gestão implementadas pelo primeiro-ministro, David Cameron, em resposta à crise econômica. Semelhante aos movimentos ocorridos em países latinos, Chile e Colômbia, os jovens ingleses também se insurgem contra os cortes na Educação.
Subjacentes todas essas manifestações, pode-se identificar descontentamentos com três grandes tendências do mundo atual:
a) Desequilíbrios fiscais que ameaçam direitos do bem estar social e ampliam a exclusão;
b) Intolerância diante da grande diversidade cultural, étnica e religiosa das populações das grandes cidades;
c) Desconforto diante de um sistema financeiro cujas lógicas imediatistas não têm compromisso com o equilíbrio econômico, social e ambiental do planeta.
O desafio para as próximas décadas será o da criação de novos modelos capazes de reverter as tendências acima identificadas. Novamente, são movimentos como os das juventudes européias e americana que lançam o desafio: um outro mundo é possível.
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Opinião
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